Professor Carranquinha

Minha história com a capoeira começou em 2005, quando eu era apenas uma criança de 6 anos. Foi graças a um grande amigo, o Contramestre Marrom, da Fonte do Gravatá, que tive meu primeiro contato com essa arte. Ele me levou para treinar pela primeira vez e também me presenteou com o meu primeiro berimbau. Foi amor à primeira vista. Naquele momento, sem imaginar, estava iniciando uma jornada que mudaria minha vida para sempre.

Em 2006, entrei no Dom Bosco, no PROVIM, onde comecei a participar da oficina de capoeira ministrada pelo Mestre Murruga. Algum tempo depois, as aulas também foram conduzidas pelo Mestre Saúva. Foi nesse ambiente que minha paixão pela capoeira cresceu ainda mais. A cada treino eu me dedicava mais, aprendia novos movimentos, fazia amizades e compreendia que a capoeira era muito mais do que um esporte: era uma escola de vida.

Como o PROVIM atendia crianças de 6 a 14 anos, em 2012, chegou o momento de encerrar esse ciclo. No entanto, aquele não foi um ponto final, mas sim o início de uma nova etapa. Permaneci no Dom Bosco, agora como aluno do CEDESP, onde iniciei um curso de qualificação. Nessa época, a oficina de capoeira já não existia mais, mas isso nunca foi motivo para me afastar daquilo que eu tanto amava. Pelo contrário, minha paixão pela capoeira já estava enraizada em mim. Foi então que passei a dedicar minhas noites aos treinos com o Grupo de Capoeira 2 de Ouros, mantendo viva a chama que havia sido acesa anos antes. A cada treino, a cada desafio superado e a cada nova graduação conquistada, eu tinha ainda mais certeza de que a capoeira não era apenas um esporte ou uma atividade: ela já fazia parte da minha história, moldando meu caráter, fortalecendo meus valores e transformando a pessoa que eu estava me tornando.

Em 2016, já com a graduação de Estagiário, surgiu a oportunidade de iniciar minha trajetória ministrando aulas de capoeira para duas turmas de crianças na Escola Petita. Foi ali que realizei meu primeiro Batizado de Capoeira, um momento inesquecível. Ver cada aluno aprendendo, evoluindo e descobrindo a capoeira foi uma das maiores recompensas que já tive. Ensinar me fez perceber que compartilhar conhecimento é tão gratificante quanto aprender.

Após 18 anos de dedicação, disciplina e muito treinamento, chegou um dos momentos mais marcantes da minha vida: minha formatura como Professor de Capoeira. Receber essa graduação representou a realização de um sonho construído com muito esforço, respeito e amor pela arte.

No mesmo ano, tive a oportunidade de retomar o trabalho com duas turmas na Escola Alfredo Paulino. Esse momento foi ainda mais especial porque pude transmitir todo o conhecimento que recebi ao longo da minha caminhada. Entre os alunos estava a filha do meu mestre. Foi emocionante perceber que o homem que um dia me ensinou estava, agora, confiando em mim para ensinar sua própria filha. Um ciclo de respeito, confiança e continuidade da tradição da capoeira.

Em 2026, vivi um dos capítulos mais emocionantes da minha história. Recebi a oportunidade de retornar ao Dom Bosco, no PROVIM, exatamente onde tudo começou. Voltei não mais como o menino de 6 anos que dava seus primeiros passos na capoeira, mas como Professor de Capoeira, responsável por dar continuidade ao projeto que marcou minha infância e foi a porta de entrada para o Grupo de Capoeira 2 de Ouros.

Foi impossível não sentir uma enorme emoção ao reencontrar aquele espaço cheio de lembranças, agora com a missão de ensinar às novas gerações tudo aquilo que aprendi durante tantos anos. Cada aula representa a chance de transformar vidas, assim como a capoeira transformou a minha.

Hoje entendo que minha trajetória vai muito além das graduações conquistadas. Ela é construída por pessoas que acreditaram em mim, pelos mestres que compartilharam seus ensinamentos, pelos alunos que passaram por minhas aulas e por cada roda de capoeira que me fortaleceu.

A capoeira me ensinou disciplina, humildade, respeito, perseverança e amor ao próximo. Ela moldou quem eu sou dentro e fora da roda.

Minha história com a capoeira continua sendo escrita a cada treino, a cada aula e a cada criança que descobre, assim como eu descobri um dia, que a capoeira é muito mais do que uma luta ou um esporte. Ela é cultura, tradição, educação e um verdadeiro estilo de vida.

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